quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Papa lança documento sobre Palavra de Deus na vida da Igreja

A Palavra de Deus é o tema central do mais recente documento escrito por Bento XVI, a Exortação Apostólica pós-sinodal Verbum Domini.

O texto recolhe as 55 reflexões e propostas da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que aconteceu entre 5 e 26 de outubro de 2008 com o tema "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

"Desejo assim indicar algumas linhas fundamentais para uma redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina, fonte de constante renovação, com a esperança de que a mesma se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial", indica o Papa na introdução do documento.

A divulgação aconteceu durante uma coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé na manhã desta quinta-feira, 11, às 12h (em Roma – 9h no horário de Brasília).

Participaram da coletiva de imprensa de apresentação do texto o prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet; o presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Dom Gianfranco Ravasi; o secretário-geral do Sínodo dos Bispos, Dom Nikola Eterović; e o sub-secretário do Sínodo dos Bispos, Dom Fortunato Frezza.

"Isso evidencia mais uma vez a prioridade da Palavra de Deus no seu Pontificado. [...] Poderia se concluir que o Santo Padre Bento XVI pode ser definido como o Papa da Palavra de Deus", ressalta Dom Eterović.

Estrutura

De acordo com o secretário-geral do Sínodo, a Exortação possui múltiplos objetivos:

1 - Comunicar os resultados da Assembleia sinodal; 2 – Redescobrir a Palavra de Deus, fonte de constante renovação eclesial; 3 – Promover a animação bíblica da pastoral; 4 – Sermos testemunhas da Palavra; 5 – Iniciar uma nova evangelização; 6 – Favorecer o diálogo ecumênico; 7 - Amar a Palavra de Deus.

Dom Eterović explica que a Verbum Domini é dividida em três partes: a primeira, Verbum Dei – dividida em três capítulos, sublinha o papel fundamental de Deus Pai, fonte e origem da Palavra (cf. VD, 20-21), bem como a dimensão trinitária da revelação; a segunda, Verbum in Ecclesia – dividida em três capítulos, coloca em realce que, pela Divina Providência, a Igreja é a casa da Palavra de Deus que acolhe o Verbo feito carne e que fez morada entre nós (cf. Jo 1, 14); e a terceira, Verbum mundo – dividida em quatro capítulos, salienta o dever dos cristãos de anunciar a Palavra de Deus no mundo em que vivem e trabalham.

O documento começa com uma Introdução, que fornece úteis indicações preliminares, entre as quais o objetivo da Exortação, e encerra-se com a Conclusão, em que são sintetizadas as ideias mais importantes. O texto já está disponível nas línguas latina, italiana, francesa, inglesa, alemã, espanhola, portuguesa e polonesa.

Maria, hermenêutica e Liturgia

De acordo com o Cardeal Ouellet, a Exortação "desenvolve uma visão dinâmica e dialógica da Revelação. [...] A revelação cristã é essencialmente um chamado ao diálogo, uma Palavra criadora de evento e de encontro, do qual a Igreja faz experiência desde as suas origens".

O prefeito da Congregação para os Bispos acrescenta que Maria permanece o insuperável modelo do relacionamento fecundo entre Igreja e Palavra de Deus, conforme indicado pelo Santo Padre no número 28 da Verbum Domini:

"A referência à Mãe de Deus mostra-nos como o agir de Deus no mundo envolve sempre a nossa liberdade, porque, na fé, a Palavra divina transforma-nos. Também a nossa ação apostólica e pastoral não poderá jamais ser eficaz se não aprendermos de Maria a deixar-nos plasmar pela ação de Deus em nós. [...] Contemplando na Mãe de Deus uma vida modelada totalmente pela Palavra, descobrimo-nos também nós chamados a entrar no mistério da fé, pela qual Cristo vem habitar na nossa vida", escreve Bento XVI.

Ouellet lembra que o Papa defende que é absolutamente necessário rezar com as Sagradas Escrituras para encontrar-se pessoalmente com Cristo. "Daí os numerosos desenvolvimentos da Verbum Domini sobre a Santa Liturgia, sobre a leitura orante e assídua dos textos sagrados, sobre a escuta e o silêncio, sobre a partilha da fé frente aos textos bíblicos, de modo particular na liturgia dominical", afirma.

A Exortação também assinala que a hermenêutica bíblica – chaves de interpretação da Escritura – precisa estar sempre a serviço da fé da Igreja, pois a interpretação da Bíblia flui da vida e do crescimento dessa. Ao tema, são dedicadas cerca de 40 páginas.

Já o sub-secretário do Sínodo dos Bispos, Dom Fortunato Frezza, falou sobre a centralidade física e programática do tema Liturgia no documento papal, pois ocupa as páginas do meio do volume.

"Liturgia e Palavra de Deus compenetram-se em estrita reciprocidade: a Palavra de Deus diviniza a ação litúrgica, a Liturgia é lugar privilegiado para a compreensão da Palavra de Deus, compreensão que se qualifica segundo o dinamismo paulino do conhecer para ser conhecido (cf. 1 Cor 13, 12) e do conhecer para operar na vida segundo o espírito (cf. Fil 3, 8; Ef 3, 16-20).

Copie e cole o endereço abaixo na barra de endereços da internet:
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_exhortations/documents/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini_po.pdf

Leonardo Meira

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estreia hino da Jornada Mundial da Juventude 2011

O hino e a trilha sonora da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Madri 2011 estreou ontem, véspera da festa de Nossa Senhora da Almudena, padroeira de Madri.

Com o título "Firmes na fé", o hino foi interpretado pela Joven Orquesta de la Comunidad de Madrid (JORCAM) e pelo coral da Escolanía de El Escorial. Ambos os grupos gravaram o hino que será distribuído a partir do dia 19 de novembro.

"Firmes na fé" acompanhará os jovens na preparação e na realização da JMJ de Madri. Está inspirado no texto de São Paulo - "Enraizados e edificados n'Ele... firmes na fé" (Col 2,7) - escolhido por Bento XVI como tema da JMJ Madri 2011.

O autor da letra é o bispo auxiliar de Madri, César Franco, coordenador geral da JMJ.

Para Dom Franco, "as estrofes realçam a humanidade santíssima de Cristo, ao estilo da tradição mística espanhola, e pretendem aproximá-la dos jovens".

Enrique Vázquez, sacerdote vitoriano e compositor de música religiosa, compôs a melodia. O sacerdote recordou o processo de composição do hino, do qual destaca: "O primeiro desafio por pensar em uma melodia que ajudasse a entender o texto, cantá-lo e rezá-lo".

Da letra, afirmou: "As estrofes começam com um caráter mais lírico, que reflete o assombro, a admiração e o agradecimento diante da Pessoa e da obra do nosso Redentor".

A obra foi gravada em três versões: uma litúrgica, outra instrumental para grandes corais e, finalmente, uma versão popular, com acompanhamento de violão. As três versões estão disponíveis gratuitamente no site oficial da JMJ, no qual também podem ser baixadas, incluindo as partituras.

Quem preferir em formato de CD, pode adquiri-lo na editora San Pablo, que patrocinou a gravação do hino e a produção dos discos compactos.

Um clipe do hino, em versão multilíngue, será distribuído em breve.

Para baixar o hino (música, letra e partitura):
http://www.madrid11.com/es/oficina-de-prensa/descargas/346-himno-2011.

Lojas nas quais se vendem os CDs:
http://libreria.sanpablo.es/redlibrerias.php.

Fonte: ZENIT

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SANTA SÉ: RECONHECER A DIGNIDADE DO SER HUMANO

“Reconhecimento da dignidade de cada pessoa implica absoluto respeito pela dimensão interior e transcendente da pessoa humana”: foi o que disse o Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, Dom Francis Chullikatt, em Nova Iorque. “Os governos têm uma responsabilidade solene de proteger este direito inalienável” que é a liberdade religiosa, “e não permitir que seja ridicularizada e que os fiéis sejam perseguidos", expressou Dom Chillikat ao dirigir a atenção à grave situação na qual vivem os cristãos em muitas partes do mundo.

O Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas expressou ainda tristeza em relação ao documento enviado pelo Relator Especial das Nações Unidas para o direito à educação, Vernor Muñoz Villalobos, no qual se pede uma educação sexual pormenorizada obrigatória para as crianças, criticando aqueles países nos quais se permitem os pais retirem seus filhos de tais disciplinas. “Os pais, observou Dom Chullikat, têm “o direito e a responsabilidade de educar seus filhos”.

Ao concluir, o prelado insistiu que “os direitos humanos estão apoiados na dignidade inerente da pessoa humana, e estes direitos inalienáveis estão fundados na ordem moral natural, e são discerníveis através de uma reta razão, que é universal”. “Minha Delegação deve ser sincera”, disse, “os direitos humanos não mudam mais que do que a natureza humana é capaz de mudar”.

Fonte: Zenit

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

EXORTAÇÃO PÓS-SINODAL “VERBUM DOMINI” SERÁ PUBLICADA EM 11 DE NOVEMBRO

O documento pontifício recolhe os frutos do Sínodo sobre a Palavra de Deus
Na próxima quinta-feira, dia 11 de novembro, será apresentada na Santa Sé a exortação apostólica pós-sinodal de Bento XVI, Verbum Domini.
O documento pontifício recolhe as muitas reflexões e propostas surgidas durante o Sínodo dos Bispos sobre "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja", realizado no Vaticano em outubro de 2008.
Nesta ocasião, intervirá o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, Dom Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, Dom Nikola Eterović, secretário-geral do Sínodo, e Dom Fortunato Frezza, subsecretário.

Fonte: ZENIT

PE. FERNANDO BASTOS DE ÁVILA MORRE AOS 92 ANOS

Faleceu na manhã no ultimo sábado (06/11) em Belo Horizonte, o jesuíta Pe. Fernando Bastos de Ávila, na Casa de Saúde Irmão Brandão.

O carioca Pe. Ávila há 75 anos ingressou na Companhia de Jesus e era membro da Academia Brasileira de Letras, onde ocupava a Cadeira nº 15. Ex-Reitor da Puc do Rio de Janeiro, criou nessa Universidade a Escola de Sociologia, Política e Economia.

João Paulo II o nomeou membro da Comissão Pontifíca de Justiça e Paz. Doutor em Filosofia e Telogia pela Universidade Gregoriana, Roma e Doutor em Ciências Políticas e Sociais pela Universidade de Louvain, Bélgica, quando defendeu a tese "L’ Immigration au Brésil" aprovada com a mais alta distinção.

Professor de Introdução às Ciências Sociais e de Doutrina Social da Igreja, formou uma geração de eminentes cientistas sociais. Criou a revista Síntese Política, Econômica e Social, com ampla divulgação dentro e fora do ambiente universitário.

Foi um dos intelectuais que se empenhou pelo reconhecimento da profissão de sociólogo e, em 1969 fez parte do grupo que elaborou a reforma universitária.

Pe. Ávila foi solicitado a preparar o livro-texto da disciplina de Moral e Civismo, quando criada pelo Governo Federal. Com uma equipe de especialistas organizou a Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo, considerada subversiva, e por isso apreendida.

Quando foi criado o IBRADES, Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, instituição destinada a assessorar a CNBB, Pe. Ávila foi o seu primeiro diretor. Também durantes muitos anos assessorou os bispos do Brasil como analista da situação sócio-política do país. Por causa de sua independência chegou a ser levado a um Inquérito Policial Militar.

Interessado pela participação do clero no Parlamento brasileiro, empreendeu uma pesquisa nos 176 volumes dos Anais do Parlamento brasileiro. Junto com o Pe. Pierre Bigot, SJ, trabalhou na preparação de um livro sobre a difusão da Doutrina Social da Igreja na América Latina.

Pe. Ávila deixa quinze livros publicados e numerosos ensaios, artigos e conferências.

Fonte: Rádio Vaticano.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

D. Eugênio 90 anos

A Igreja Particular de São Sebastião do Rio de Janeiro, unida à Igreja que peregrina no Brasil e à universalidade de toda a Igreja Católica no mundo, rendem uníssona um hino de ação de graças a Deus pelos 90 anos da abençoada existência de Sua Eminência Reverendíssima o Cardeal Eugênio de Araújo Sales, quinto Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Dom Eugênio, nascido a 08 de novembro de 1920, em Acari, no Rio Grande do Norte, da família abençoada de Josefa de Araújo Sales e do desembargador Celso Dantas Sales, constituiu uma vida e uma longa folha de serviços eclesiásticos prestados, com humildade, perseverança e dedicação, desde os tempos de jovem padre ordenado na Arquidiocese de Natal, em 21 de novembro de 1943, pela imposição das mãos de Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, bispo de Natal.

Como bispo, nomeado a 1º de junho de 1954, com apenas trinta e três anos, para Bispo Auxiliar de Natal. Em 1962 foi nomeado Administrador Apostólico de Natal. Foi Administrador Apostólico de São Salvador da Bahia em 1964, sendo nomeado Arcebispo Primaz do Brasil em 29 de outubro de 1968. O Papa Paulo VI inscreveu Dom Eugênio no Sacro Colégio dos Cardeais no consistório de 28 de abril de 1969, com o título de São Gregório VII. Em 13 de março de 1971, o Papa Paulo VI transferiu o Cardeal Sales para Arcebispo do Rio de Janeiro. Por fecundos trinta anos, a Igreja do Rio foi guiada por Dom Eugênio até a sua renúncia ter sido aceita pelo Papa, aos oitenta anos, em 25 de julho de 2001.

Desde jovem sacerdote em Natal, Dom Eugênio foi preocupado com a formação do clero e com os meios necessários para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. Depois de ser nomeado bispo, Dom Eugênio, em Natal, foi pioneiro em ações pastorais para a Igreja no Brasil, como a idealização da Campanha da Fraternidade, a criação das comunidades eclesiais como forma pastoral, a entrega de paróquias às religiosas, a motorização do clero, as escolas radiofônicas, os sindicatos rurais. Ações estas que foram feitas com grande entusiasmo, muita discrição e colocando sempre em primeiro lugar a necessidade de que a Igreja usasse todos os meios necessários, particularmente os meios de comunicação social, para anunciar o Evangelho, para dar dignidade aos mais pobres, dando-lhes condições de trabalho digno, de renda e de organização para lutar pelos seus direitos.

A fecundidade das múltiplas ações pastorais, sociais e caritativos de Dom Eugênio, em Natal, fizeram com que o seu amigo Dom Helder Câmara, ao fundar a CNBB junto com os Cardeais Motta e Câmara, colocasse em prática as inovações pastorais criadas por Dom Eugênio, sendo que a Campanha da Fraternidade, nascida em Natal sob a guia do jovem Bispo potiguar, assumida pelo Episcopado, logo se espalhasse para todo o Brasil, numa capilaridade pastoral perfeita em que assuntos prementes da vida eclesial sejam discutidos e trabalhados sempre na busca de soluções melhores para a vida do nosso povo.

O Cardeal Dom Jaime, antes de morrer, já começava a aplicar na Arquidiocese do Rio as mudanças propostas pelo Concílio Vaticano II. Dom Eugênio, ao chegar ao Rio de Janeiro, implementou imediatamente as ações evangelizadoras do Concílio Vaticano II, mesmo com as normais dificuldades. Manteve firme a sua confiança inabalável em Deus e governou esta Igreja como sua esposa, sendo o Bom Pastor que conhecia as suas ovelhas, que as chamava pelos nomes e que as confirmava na irrestrita fidelidade a Deus, à Igreja, à Sé de Pedro e ao Papa.

A Igreja do Rio viveu esta comunhão e esta unidade pastoral na fidelidade e no silêncio da ajuda caritativa que sempre chegou aos mais pobres e mais desvalidados, principalmente com a Cruzada de São Sebastião, o Banco da Providência, com a sua Feira da Providência, a Pastoral do Menor, a Pastoral da Criança, entre outras muitas atividades sociais. Muitas ações de Dom Eugênio foram consideradas fundamentais na vida da cidade do Rio, como aquela ação em favor dos mais pobres, como no caso em que os moradores da favela do Vidigal não foram removidos graças à sua intervenção através da pastoral das favelas. Dom Eugênio subia e descia as favelas, morros e bairros de nossa cidade sempre dialogando e levando a Palavra de Deus aos mais pobres e desvalidos, cuidando de seus direitos, sem se esquecer de dialogar com todos os demais habitantes, principalmente com os construtores da sociedade.

A preocupação permanente da formação do clero foi uma das marcas de Dom Eugênio, que renovou o Seminário São José, incentivando as vocações, ordenando muitos presbíteros (215 durante o seu episcopado) e dando uma assistência especial, por si ou por seus bispos auxiliares, aos padres de sua Arquidiocese.

Bendizemos a Deus pelas vocações sacerdotais e o seu incremento no governo de Dom Eugênio, com muitas ordenações e o seu carinho pelo clero. Para com os bispos do Brasil, organizou anualmente o curso dos Bispos no Sumaré, em que teve a alegria de hospedar em sua primeira edição o então Cardeal Joseph Ratzinger, que veio falar ao episcopado e, depois do mesmo, falou para leigos e religiosos. Estes encontros, dos quais eu mesmo participei em seu governo, eram e ainda são momentos de oração, de renovação espiritual e de atualização nas várias áreas da teologia e dos assuntos eclesiais.


Não podemos deixar de dizer da ampla e silenciosa rede de assistência aos mais pobres que foi idealizada, levada a efeito e protegida por Dom Eugênio em seu longo governo de trinta anos em nossa Arquidiocese. Não era apenas um discurso a defesa dos pobres, mas na prática, no dia a dia, no socorro de suas necessidades e na sua colocação profissional, ou seja, a sua promoção. O Cardeal Sales, silenciosamente, como ele mesmo gosta de dizer, protegeu os presos políticos, ajudou-os materialmente e foi a sua voz junto aos militares, e sempre foi ouvido pelo respeito de suas posições sempre claras, não se comprometendo nem com os militares e nem com a luta armada. Todos conhecem histórias de como ele mesmo levava pessoas que necessitavam sair do país, com o seu veículo, até o Aeroporto. Dom Eugênio é também referência para os refugiados na América Latina e a sua ação, silenciosa e persistente, deu asilo e proteção a muitas pessoas perseguidas em seus países. Muitos hoje retornam e fazem questão de dizer como o Arcebispo do Rio agia com energia e ajudava os que mais precisavam.

No mundo da cultura, o episcopado de Dom Eugênio foi admirável, não só no diálogo com o vasto mundo intelectual do Rio de Janeiro, mas nas parcerias entre a Arquidiocese e a intelectualidade. Homem da boa imprensa, sempre manteve colunas semanais nos jornais Diário de Notícias, O Dia, Jornal do Commercio e O Jornal. Atualmente escreve no jornal O Globo e no Jornal Testemunho de Fé, este da Arquidiocese do Rio.

Desde o início no Rio de Janeiro até recentemente tinha programas semanais nas TVs Tupi, Rio, Globo, Educativa, RedeVida, Canção Nova e Rádios, entre elas Nacional, Vera Cruz, Roquete Pinto, Jornal do Brasil, Carioca, Catedral e Canção Nova. Um homem admirável, que unia doutrina com a ortopraxis, sendo fidelíssimo a Deus, à Igreja e aos Romanos Pontífices.

Homem da Igreja, homem de oração, homem de fé! Dom Eugênio enfrentou as alegrias e as tristezas, enfrentou os trabalhos e as adversidades com a serenidade de um homem de fé, que tendo como exército o breviário, o rosário, a confiança em Deus e a promessa de Cristo a Pedro que de as “portas do inferno jamais sucumbirão a Igreja”, passou por tudo com a serenidade dos justos. Tudo isso foi possível porque invocou sempre a proteção de São Sebastião e de Santana, Padroeiros do Rio de Janeiro, e sempre contemplou e orou diante do Cristo Redentor, que, protegendo a sua vida e o seu ministério, o inspirou muito em fazer, de sua maneira, o melhor bem espiritual para o Rio de Janeiro.

A Igreja do Rio se reúne solenemente neste dia 06 para dizer que tem muito a agradecer a Deus pelo grande Patriarca que ela respeita e agradecer o seu ministério, a sua vida, a sua fidelidade, o seu exemplo. A síntese da vida de meu predecessor se traduz no seu lema – “Impendam et superimpendar”, fundamenta-se na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios (2Cor 12, 15): “Quanto a mim, de muita boa vontade gastarei o que for preciso e me gastarei inteiramente por vós.”

Assim, nós que temos o peso e tremor de suceder ao querido Cardeal Sales, podemos resumir a sua vida da seguinte forma: Um homem que se consagrou a Deus, cujas promessas da ordenação sacerdotal foram vividas rigorosamente no exercício do seu ministério através da fidelidade ao Papa e à Igreja, e no serviço em prol dos mais necessitados. Não lhe importava, ou não importa agradar, mas ser fiel a Cristo sendo, por isso, Sua testemunha. A sua vida de oração, os seus sentimentos, os seus pensamentos, sua conduta, seus afazeres têm uma meta: a causa do Reino.

E a causa do Reino consumiu a sua fidelidade, e nós dizemos: Muito obrigado, Cardeal Sales, pelo exemplo que edificou, pela Palavra que santificou, pela Igreja que uniu, pela fidelidade ao Magistério que ensinou e, ainda mais, sua missão para que aparecesse sempre mais o Cristo que, visibilizado na imagem do Cristo Redentor, fosse Ele a iluminar e abençoar, através de sua ação ministerial a Igreja do Rio e a Igreja Católica.

Dom Orani João Tempesta é Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ibope aponta empate técnico entre Perillo e Iris para o governo de Goiás

Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (27) aponta empate técnico entre os candidatos ao governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB).
Considerando os votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Perillo registra 51% e Rezende, 49%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento, encomendado pela TV Anhaguera, afiliada da Rede Globo, foi realizado com 1.204 pessoas em 55 municípios entre os dias 24 e 26 de outubro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás sob o número 53868/2010 e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 37516/2010.
Considerando os votos totais, Marconi Perillo aparece com 46% e Iris Rezende, com 45%. Indecisos somam 5% e brancos e nulos, 4%.

Fonte: Portal de notícias G1