quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A DIGNIDADE DO OUTRO


A Campanha da Fraternidade 2008 nos convida a celebrarmos a nossa dignidade pessoal e a lutarmos pelo reconhecimento e respeito pela dignidade do outro






A dignidade se baseia no reconhecimento da pessoa como ser digno de respeito. É uma necessidade emocional que todos nós temos de reconhecimento público de se ter feito bem as coisas, em relação a autoridades, amigos, círculo familiar, social, entre outros.

O objetivo geral da CF é levar a Igreja e a sociedade a defender e a promover a vida humana, desde a sua concepção até a sua morte natural, compreendida como dom de Deus e co-responsabilidade de todos, na busca de sua plenificação, a partir da beleza e do sentido da vida em todas as circunstâncias, e do compromisso ético do amor fraterno.

Se as exigências éticas de Jesus constituem tropeços para o ser humano moderno, somente o são em virtude de sua vontade egoísta, mas não de sua inteligência. A alma só é bela pela inteligência, e as outras coisas, tanto nas ações como nas intenções, só são belas pela alma que lhes dá a forma da beleza.

Precisamos nos ajudar a olhar a realidade com clareza e coragem, para poder fazer as escolhas também nós como pessoas humanas, no sentido pleno do termo, conhecendo o que estamos fazendo e o porquê, qual a finalidade.

Com certeza estamos todos perplexos, principalmente quem está na linha de frente, diante das situações de miséria que se perpetuam e do poder com que a biotecnologia nos dotou. O que fazer? Para tentar passos que nos levem, como sociedade, a nos aproximarmos da meta, antes de tudo é preciso ter clareza sobre qual é a meta.

Se a complexidade é tamanha, não se pode pensar em resolver a situação agindo só em um fator, por exemplo, eliminando a parte mais frágil. Talvez nenhum de nós tenha a resposta na ponta da língua, de como resolver, mas podemos nos ajudar no caminho: aconteça o que acontecer, a meta é o direito de cada pessoa humana à vida, e a uma vida que tenha beleza e sentido, mesmo na dor e na dificuldade.

Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade 2008 nos convida a celebrarmos a nossa dignidade pessoal e a lutarmos pelo reconhecimento e respeito pela dignidade do outro, especialmente dos ainda não-nascidos, dos doentes, dos idosos, dos miseráveis, dos famintos, dos analfabetos, dos marginalizados e dos excluídos em geral.


Pe. Eduardo Rocha Quintella
Bacharel em Teologia – pelo C.E.S. – Juiz de Fora – MG

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Carnaval, qual a sua origem e qual a atitude da Igreja diante dele?

Depois de mais de um mês de recesso ferial, estamos de volta com todo o vapor... Esperamos colaborar com artigos interessantes em tempos oportunos os quais oferecemos reflexões para o amigo leitor. Desde já um forte abraço e boa leitura!
Welinton Silva.

I. Origem: antes do mais, diga-se algo sobre a etimologia de “Carnaval”.

Comumente os autores explicam este nome a partir dos termos do latim tardio “carne vale”, isto é, “adeus carne” ou “despedida da carne”; esta derivação indicaria que no Carnaval o consumo de carne era considerado lícito pela última vez antes dos dias de jejum quaresmal. - Outros estudiosos recorrem à expressão “carnem levare”, suspender ou retirar a carne: o Papa São Gregório Magno teria dado ao último domingo antes da Quaresma, ou seja, ao domingo da Qüinquagésima, o título de “dominica ad carnes levandas”; a expressão haveria sido sucessivamente, carneval ou carnaval”. - Um terceiro grupo de etimologistas apela para as origens pagãs do Carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se exibir um préstito em forma de nave dedicada ao deus Dionísio ou Baco, préstito ao qual em latim se dava o nome de currus navalis: donde a forma Carnavale.

Como se vê, não é muito clara a procedência do nome.

Quanto à realidade por este designada deve-se dizer o seguinte:

As mais antigas notícias de pompas semelhantes às que hoje chamamos “Carnaval” datam, como se crê, do séc. VI antes de Cristo, na Grécia: as pinturas de certos vasos gregos apresentam figuras mascaradas a desfilar em procissão ao som de música as pompas do culto do deus Dionísio, com suas fantasias e alegorias, são certamente anteriores à era cristã. Entre os gregos, análogas festividades eram ocasionadas pela entrada de novo ano civil (mês de janeiro) ou pela aproximação da primavera e a conseqüente despedida do inverno. Elementos da religiosidade pagã e da mitologia costumavam inspirar essas celebrações; em geral os povos não-cristãos intencionavam, com seus ritos exuberantes, expiar as faltas cometidas no inverno ou no ano anterior e pedir aos seres superiores a fecundidade da terra e a prosperidade para a primavera e o novo ano. Disto dão testemunho os costumes vigentes ocasião de tais solenidades: para exprimir a expiação e o cancelamento das culpas passadas, por exemplo, encenava-se a morte de um fantoche ou boneco que, depois de “haver feito seu testamento” e após uma paródia de transporte fúnebre, era queimado ou lançado à água ou de qualquer modo destruído (rito celebrado geralmente no dia 1º de janeiro) Em algumas regiões procedia-se à confissão pública dos vícios: matava-se um peru, o qual, antes de morrer, proclamava pela boca de um dos cidadãos os malefícios da gente do país. A denúncia das culpas tomava não raro um caráter pilhérico e teatral: era, por exemplo, o cômico Arlequim que, antes de ser entregue à morte confessava os seus pecados e os alheios. Apesar das intenções sérias que inspiraram inicialmente tais manifestações públicas, compreende-se que elas tenham mais e mais dado lugar à licenciosidade e a deploráveis abusos, fomentados elo uso de máscaras, trajes alegóricos, pela exibição de préstitos, peças de teatro, etc. Em tese, as danças e o tripudiar característico dessas festas deviam servir de exortação ao povo para que cheio de alegria iniciasse a nova estação do ano. As religiões ditas “de mistérios” provenientes do Oriente e muito difusas no Império Romano, concorreram não pouco, pelo fato de seguirem rituais exuberantes, para o incremento das festividades carnavalescas. Estas, em conseqüência, tomaram o nome de “pompas bacanais” ou “saturnais” ou “lupercais”. As demonstrações de alegria porém, tornando-se subversivas da ordem pública, o Senado Romano, no séc. II a.C. resolveu combater os bacanais; os adeptos destes passaram a ser acusado de graves ofensas contra a moralidade e contra o Estado.

Dado o motivo de tais festividades populares, entende-se que a data de sua celebração tenha sido vária: podia ser o dia 25 de dezembro (dia em que os pagãos celebravam Mitra ou o Sol Invicto) ou o dia 1º de janeiro (começo do novo ano), ou 6 ou 17 de janeiro ou 2 de fevereiro (datas religiosas pagãs) ou algum termo pouco posterior.

II. Atitude da Igreja: quando o Cristianismo se difundiu, já encontrou tais orgias no uso dos povos. Por princípio, o Evangelho não é contrário às demonstrações de júbilo, contanto que não degenerem em celebrações libertinas e pecaminosas. Por isto, os missionários não se opuseram formalmente à realização do Carnaval, mas procuraram dar-lhe caráter novo, depurando-o de práticas que tinham sabor nitidamente supersticioso ou mitológico e enquadrando-o dentro da ideologia cristã; assim, como motivo de alegria pública, os pastores de almas indicavam por vezes algum mistério ou alguma solenidade do Cristianismo (o Natal, por exemplo, ou a Epifania do Senhor ou a Purificação de Maria, dita “festa da Candelária”, em vez dos mitos pagãos celebrados a 25 de dezembro 6 de janeiro u 2 de fevereiro). Por fim, as autoridades eclesiásticas conseguiram restringir a celebração oficial do Carnaval aos três dias que precedem a quarta-feira de cinzas (em nossos tempos alguns párocos bem intencionados promovem, dentro das normas cristãs, folguedos públicos nesse tríduo, a fim de evitar sejam os fiéis seduzidos por divertimento pouco dignos).

Como se vê, a Igreja não instituiu o Carnaval; teve, porém, de o reconhecer como fenômeno vigente no mundo em que ela se implantou. Sendo em si suscetível de interpretação cristã, ela o procurou subordinar aos princípios do Evangelho; era inevitável, porém, que os povos não sempre observassem o limite entre o que o Carnaval pode ter de cristão e o que tem de pagão. Está claro que são contrários às intenções da Igreja os desmandos assim verificados Em reparação dos mesmos, foram instituídas a adoração das Quarenta Horas e as práticas de Retiros Espirituais nos dias anteriores à quarta-feira de cinzas.

Colaborou D. Estevão Bettencourt, osb.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Retrospectiva 2007

As mudanças do clima e as discussões sobre como enfrentar o aquecimento global estiveram no topo da agenda internacional durante 2007. O esperado relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) atribuiu o fenômeno à ação humana.

Em dezembro, representantes de todos os países da ONU se reuniram em Bali para inicar as discussões sobre o que fazer depois do término do Tratado de Kyoto, em 2012.

Como nos anos anteriores, assuntos como Iraque, China e Chávez voltaram a fazer manchetes. Mas o círculo de líderes mundiais também ganhou nomes novos, como Cristina Kirchner, Nicolas Sarkozy e Gordon Brown.

2007 voltou a ser um ano em que a economia global cresceu em ritmo acelerado, mas termina deixando incertezas e preocupações sobre os efeitos da crise do crédito imobiliário americano em todo o mundo, inclusive no Brasil.

No país, Lula assumiu seu segundo mandato anunciando o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, que ainda não saiu inteiramente do papel. Não obstante, a economia deve registrar crescimento acima de 5%, um dos três melhores dos últimos 15 anos.

No front político, porém, o governo e o PT sofreram pelo menos duas derrotas importantes: o acolhimento pelo Supremo da denúncia contra os acusados no escândalo que ficou conhecido como "mensalão" e a não-prorrogação da CPMF pelo Senado.
Ainda no Brasil, o ano chega ao fim sem solução para a crise aérea, marcada pelo episódio trágico do acidente com o Airbus A320 da TAM que deixou 199 mortos em São Paulo.

2007 deverá ser lembrado ainda pela visita do papa Bento 16, que canonizou em São Paulo Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil.

Fatos estes que com certeza não serão esquecidos pela comunidade intenacional...

Welinton Silva.

domingo, 23 de dezembro de 2007

"O jogral de Nossa Senhora" de Paulo Coelho

Olá amigos, peço perdão por não ter atualizado o Blog durante este periodo, porém desde já, revelo ao leitor que estou preparando uma retrospectiva dos acontecimentos destes dias de ausência com meus respectivos comentários a respeito. Para abrilhantar nosso espaço, Paulo Coelho me enviou esse conto muito interessante para esse tempo de natal. Desde já Feliz natal e abençoado ano novo!
Do amigo: Welinton Silva.

O jogral de Nossa Senhora

Conta uma lenda medieval que no país que hoje conhecemos como Áustria, a família Burkhard – composta de um homem, uma mulher, e um menino - costumavam animar as feiras de natal recitando poesias, cantando baladas de antigos trovadores, e fazendo malabarismos para divertir as pessoas. Evidente que nunca sobrava dinheiro para comprar presentes, mas o homem sempre dizia a seu filho:
- Você sabe por que a sacola de Papai Noel não se esvazia nunca, embora haja tantas crianças neste mundo? Porque embora ela esteja cheia de brinquedos, às vezes existem coisas mais importantes para serem entregues, os chamados “presentes invisíveis”. Em um lar dividido, ele procura trazer harmonia e paz na noite mais santa da cristandade. Onde falta amor, ele deposita uma semente de fé no coração das crianças. Onde o futuro parece negro e incerto, ele traz esperança. No nosso caso, quando Papai Noel vem nos visitar, no dia seguinte estamos todos contentes de continuarmos vivos e fazendo nosso trabalho, que é de alegrar as pessoas. Jamais esqueça isso.
O tempo passou, o menino transformou-se em rapaz, e certo dia a família passou diante da imponente abadia de Melk, que acabara de ser construída.
- Meu pai, lembra-se que há muitos anos você me contou a história de Papai Noel e seus presentes invisíveis? Penso que certa vez recebi um destes presentes: a vocação de tornar-me padre. Embora precisassem muito da companhia do filho, a família entendeu e respeitou o desejo do filho. Bateram na porta do convento, foram acolhidos com generosidade e amor pelos monges, que aceitaram o jovem Buckhard como noviço.
Chegou a véspera do natal. E justamente naquele dia, um milagre especial aconteceu em Melk: Nossa Senhora, levando o menino Jesus nos braços, resolveu descer à Terra para visitar o mosteiro.
Orgulhosos, todos os padres fizeram uma grande fila, e cada um postava-se diante da Vigem, procurando homenagear a Mãe e o Filho. Um deles mostrou as lindas pinturas que decoravam o local, outro levou um exemplar de uma Bíblia que havia demorado cem anos para ser manuscrita e ilustrada, um terceiro disse o nome de todos os santos.
No último lugar da fila o jovem Buckhard aguardava ansioso. Seus pais eram pessoas simples, e tudo que lhe haviam ensinado era atirar bolas para cima e fazer alguns malabarismos.
Quando chegou sua vez, os outros padres quiseram encerrar as homenagens, porque o antigo malabarista não tinha nada de importante para dizer, e podia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia uma imensa necessidade de dar alguma coisa de si para Jesus e a Virgem.
Envergonhado, sentindo o olhar reprovador dos seus irmãos, ele tirou algumas laranjas do bolso e começou a jogá-las para cima e segurá-las com as mãos, criando um belo círculo no ar, igual ao que costumava fazer quando ele e sua família caminhavam pelas feiras da região.
Foi só neste instante que o Menino Jesus começou a bater palmas de alegria no colo de Nossa Senhora. E foi para ele que a Virgem estendeu os braços, deixando que segurasse um pouco a criança, que não parava de sorrir.

Paulo Coelho

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Goiânia 74 anos!


Hoje a minha capital completa mais um ano de existência. Felicidade sem limites a todos os habitantes desta bela cidade. Parabéns Goiânia!!! A você, caro leitor deste blog, vai um pouco da história da Capital do Estado de Goiás: GOIÂNIA.

História
Já desde a época colonial, entre viajantes estrangeiros e parte da elite política da região, eram comuns tanto a crítica às condições geográficas da cidade de Goiás quanto a idéia da transferência da capital da província para uma área mais conveniente à expansão e desenvolvimento urbanos.

Tal idéia permaneceu em latência até que, após a Revolução de 1930, Pedro Ludovico Teixeira foi indicado interventor federal no estado de Goiás. Por sua decisão, criou-se em 1932 uma comissão encarregada de escolher o local em que seria construída a nova capital. Em 24 de Outubro de 1933, lançou-se a pedra fundamental da construção, num gesto simbólico que marcou a fundação da nova cidade. Porém, a transferência da capital do estado para Goiânia somente foi oficializada em 1937 e a inauguração oficial da cidade somente aconteceria em 1942.

O plano piloto de Goiânia foi concebido pelo urbanista Atílio Correa Lima. Em linhas gerais, consistia de três avenidas principais (Goiás, Araguaia e Tocantins), as quais confluíam para a parte mais elevada do terreno, onde se previa construir a sede do governo estadual; e de uma via circular (Avenida Paranaíba), perpendicular às três avenidas mencionadas, a conectar o Parque Botafogo ao atual Setor Aeroporto. Em 1936, Armando de Godoy assumiu a direção do projeto, interpondo-lhe modificações significativas. Godoy reelaborou, sobretudo, a parte sul do projeto de Correa Lima, introduzindo nesta área um bairro residencial, o qual concebeu sob a inspiração do movimento das cidades-jardim, fundado pelo urbanista Ebenezer Howard.

Boa parte das primeiras edificações de grande porte do centro de Goiânia foram construídas no estilo Art Déco, entre as décadas de 1940 e 1950, e constituem um acervo significativo do ponto de vista da história da arquitetura brasileira. Por esta razão, em 2003, partes do núcleo central de Goiânia - bem como do bairro de Campinas - foram incorporadas oficialmente ao patrimônio histórico e artístico nacional brasileiro.

Desde a sua fundação, Goiânia tem sido o palco de um crescimento demográfico e de uma expansão urbana vertiginosas. Em 1950, a cidade já superava as expectativas demográficas da época da sua construção, ultrapassando a cifra dos 50.000 habitantes. Em 1980, a população da cidade já era estimada em cerca de 700.000 pessoas. Desde então, tanto o crescimento demográfico quanto a expansão da área urbana do município de Goiânia têm-se feito num ritmo mais lento que outrora. Tal fenômeno, contudo, vem sendo contrabalançado pelas altíssimas taxas de crescimento populacional de alguns municípios da sua região metropolitana.

Em 1987, teve lugar em Goiânia o mais grave acidente radioativo já ocorrido no continente americano. Nesta ocasião, contaminaram-se centenas de pessoas com partículas da substância radioativa Césio-137, as quais foram liberadas de maneira não premeditada, quando um indivíduo desmontou um aparelho utilizado em radioterapias.

Welinton Silva, depois de Wikipédia

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Tropa de Elite já é o filme mais visto e mais comentado da história do cinema brasileiro


Para ser qualificada de grande, uma obra de arte precisa estabelecer conexões profundas com as pessoas. Ao analisar o papel das tragédias teatrais, por exemplo, o filósofo grego Aristóteles concluiu que elas acabavam por purificar os espectadores quando lhes causavam sentimentos de terror e compaixão. Isso porque, depois de experimentá-los, as pessoas sairiam aliviadas, purgadas dos próprios pesadelos. Aristóteles chamou a isso catarse. O tipo de conexão proporcionado por Tropa de Elite, do diretor José Padilha, é de outra ordem. Trata-se de um grande filme justamente pelo contrário: ele não concede válvulas de escape ao retratar como a criminalidade degradou o país de alto a baixo. O pesadelo real ganha ainda mais nitidez. A sociedade brasileira, pelo jeito, ansiava por esse tapa na cara dado pelo capitão Nascimento, o policial interpretado magistralmente por Wagner Moura. Lançado há apenas duas semanas, Tropa de Elite já é o filme mais visto e comentado da história do cinema brasileiro. As salas de exibição lotam em todas as sessões e estima-se que mais de 11 milhões de pessoas tenham assistido ao filme em DVDs piratas que inundaram os camelôs de várias capitais do país (veja reportagem). Gírias policiais reproduzidas no filme e trechos de diálogos entre os personagens – como "pegou geral" e "01 pede pra sair" – tornaram-se bordões repetidos nas mais diversas situações.
O assunto da obra do diretor José Padilha é a guerra diuturna que a polícia carioca move contra os traficantes de drogas encastelados nos morros favelizados da cidade. Mais especificamente o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a tropa de elite do título. O tráfico de drogas, o nervo mais exposto de um país em desordem e refém do medo (veja o quadro), é tema comum na cinematografia nacional recente. A diferença é que esse filme o aborda pondo os pingos nos is. Bandidos são bandidos, e não "vítimas da questão social". Há policiais corruptos, mas também muitos que são honestos. Se existem traficantes de cocaína e maconha, é porque há milhares de consumidores que os bancam. Muitos desses consumidores, aliás, são aqueles mesmos que fazem "passeatas pela paz" e compactuam com a bandidagem para abrir ONGs em favelas. Por último, a brutalidade de alguns policiais pode ser explicada pelo grau de penúria e abandono que o estado lhes reserva.
Ditas de maneira tão simples, essas verdades parecem de uma obviedade ululante. E são. Mas o Brasil, infelizmente, é um país de idéias fora do lugar por causa da afecção ideológica esquerdista que inverte papéis, transformando criminosos em mocinhos e mocinhos em criminosos. Aqui, a "questão social" é justificativa para roubos, assassinatos e toda sorte de crime e contravenção – mesmo quando praticados por quadrilhas especializadas, compostas por integrantes que nada têm de coitadinhos. O apresentador Luciano Huck que o diga. Dois ladrões roubaram-lhe um relógio caro em São Paulo e ele, indignado, atreveu-se a escrever um artigo no jornal Folha de S. Paulo para reclamar da falta de segurança. Por ser um homem rico, da elite, Huck sofre um linchamento moral. Há até quem pergunte se ele "mereceu ser roubado". Existe quem mereça? Tentaram fazer o mesmo com Tropa de Elite. Os ideólogos que o rotularam de "fascista" viram-se, porém, obrigados a dobrar-se ao sucesso do filme. Na semana passada, a pedido de VEJA, o instituto Vox Populi realizou uma pesquisa para medir o impacto de Tropa de Elite nos espectadores. Os resultados indicam por que o filme é arrebatador. Na opinião de 72% dos entrevistados, os criminosos que aparecem no filme são tratados como merecem. Quase 80% deles concordam que a polícia é apresentada com fidelidade – ou seja, tem uma banda podre e uma banda boa. Tropa de Elite agrada também por abordar a responsabilidade dos usuários de drogas sem meias palavras. O capitão Nascimento diz que o "playboy" que fuma um cigarro de maconha é o responsável pela morte de um traficante abatido pelo Bope. A afirmação encontra eco na população. Para 85% dos espectadores, o raciocínio do capitão Nascimento está correto. O policial vivido por Wagner Moura ganhou enorme popularidade, mas isso não significa que todas as pessoas enxerguem num Rambo a solução para problema tão complexo como o da criminalidade. Na opinião de 53% dos entrevistados, o capitão é um herói, mas 43% rejeitam essa idéia, embora o vejam com relativa simpatia. As características do personagem ajudam a explicar tal divisão. Nascimento é um ser humano devastado. Sofre de síndrome do pânico, consome vorazmente remédios de tarja preta e suas explosões freqüentemente resultam em ações que extrapolam o manual do Bope.
Na pesquisa encomendada por VEJA, chama atenção o fato de 51% dos espectadores desaprovarem a tortura como um meio de extrair confissões de criminosos. É uma maioria pequena – 47% aprovam esse método desumano –, mas que aponta no sentido da civilização. Seria até de esperar que o desespero dos brasileiros em relação à segurança se traduzisse numa proporção ainda mais larga de pessoas adeptas da tortura policial. É bom que se diga: em nenhum momento, Tropa de Elite legitima o uso da tortura, o que seria deplorável. Apenas mostra como o descaso e a barbárie podem animalizar agentes da lei. "Como está dito no filme, o policial tem três escolhas: ou ele se corrompe, ou se omite ou vai para a guerra", afirma o diretor José Padilha. O Brasil só tem duas escolhas: ou derrota os criminosos ou é derrotado por eles. Pela acolhida que o filme está recebendo, os brasileiros não têm a menor dúvida do caminho a seguir.

Revista Veja - Edição 2030

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Festividades da 131º Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário em Catalão


Chegou ao final as festividades da 131º Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário, o ultimo dia foi marcado com uma missa aos Romeiros as 9:00h da manhã. Em seguida os ternos saíram em visitas pelos seus bairros, fazendo louvor a Nossa Senhora do Rosário.
E a partir das 15:00h começou o percurso, de onde saíram da casa do atual festeiro Velomar Gonçalves Rios e Neusimar Teodora da Silva Rios para a casa dos que serão os novos festeiros do ano de 2008, que são Sebastião Cassimiro de Macedo e Sueli Alves Cassimiro Macedo. No palco, próximo da casa dos novos festeiros, cada grupo de terno desfilava, cantando e dançando em louvor a Nossa Senhora do Rosário. Logo após os desfiles de cada terno, em á frente da comissão organizadora a imagem de Nossa Senhora do Rosário juntamente com a Coroa foram trazidas pelo terno Moçambique Coração de Maria e pelos guardas da Coroa Antero Martins Coelho e Júlio José Duarte, seguidos da família real da congada. A comemoração contou com a presença de varias personalidades importantes de nossa sociedade dentre elas o prefeito de Catalão Adib Elias o qual foi presenteado com a imagem de São Francisco de Assis em nome da irmandade entregue pelo Pe. Orcalino, o qual encerrou as festividades com sua benção. E contamos também com a visita do vice-governador Ademir Menezes a Catalão para prestigiar a Festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário. Os últimos momentos da festa foram dados pelo capitão Dimiro, marcado pelo apito, deu-se o encerramento oficial da festa.
História
As congadas são uma manifestação folclórica e religiosa bastante antiga em Catalão. Desde 1820, em toda última sexta-feira do mês de setembro, estendendo-se por parte da primeira quinzena de outubro, acontecem as congadas em Catalão. As congadas são uma festa religiosa afro-brasileira trazida pelos escravos hoje a congada é preservada e representada como uma manifestação folclorica e religiosa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário, realizada em Catalão. A festa, este ano conta com 20 ternos, que saem dançando pelas ruas, dentre estes Congo Pio Gomes, Congo Congregação do Rosário, Congo São Francisco, Congo N. Sra. do Rosário N. S. da Guia, Congo Prego, Congo N.S. de Fátima, Congo Santa Terezinha, Congo Goiânia, Congo Mariarte, Congo Marinheiro, Congo Marujeiro, Congo Sagrada Família, Moçambique Coração de Maria, Moçambique Mamãe do Rosário, Catupé Cacunda N. S. do Rosário, Catupé São Benedito, Vilão Santa Efigênia, Vilão II N.S. de Fátima, Penacho. Neste ano o Congo Marujeiro retorna a festa e pela segunda vez o congo Mariarte que é comandado pela capitã Aldanice M. dos Reis e Wanda Safatle Fayad sai às ruas, o qual é composto apenas por mulheres. O reinado é comandado pelo rei Euripedes Antonio Rita, a rainha Eloene de Jesus Rita; os príncipes Leopoldo Anunis, Victor Alves, Anismar Júnior; as princesas Helda Rita, Vanessa Mariane Rita, Maria Helena, Sebastiana de Souza, Lediane Camilo; os generais Cleiber, Franscisco, Laldemiro da Silva; e os guarda da coroa Antero Martins Coelho, Júlio José Duarte. Cerca de 4.500 pessoas, dançam pelas ruas. A festa atrai a cada ano cerca de 100 mil visitantes a Catalão.

Welinton Silva